Nos dias 3 e 4 de outubro, aconteceu na Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron) a segunda turma do curso Mediação para Magistrados: paradigmas e desafios, idealizado pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), do Tribunal de Justiça de Rondônia. A turma inicial, que também foi voltada a magistrados de varas cíveis e de família, tanto da capital como do interior do estado, foi realizada em agosto.

A segunda turma teve como professores a juíza do Tribunal de Justiça de São Paulo, Valéria Lagrasta, os psicólogos Fábio Caló, do Instituto de Psicologia Aplicada (Inpa/DF), e Mariângela Onofre, do TJRO, e a assistente social Maria Inês Soares. Segundo a coordenadora do Nupemec, Maria Abadia Lima, o objetivo é “aproximar os magistrados da política judiciária instituída pelo Conselho Nacional de Justiça por meio da Resolução 125 de 2010, que deu ênfase à mediação e à conciliação como ferramentas valiosas para a solução de conflitos”. Para ela, é necessário que o magistrado se reconheça como “um agente ativo de transformação da sociedade, saindo da cultura fortemente litigiosa para a cultura do entendimento e da pacificação”.

No primeiro dia, Fábio abordou a teoria do mindset como ferramenta útil nesse processo de pacificação. “A Emeron pensou o curso de uma forma diferente, inicia com o processo de sensibilização e no dia seguinte trata sobre mediação propriamente, então nessa primeira fase falo basicamente de uma proposta de mudança de mentalidade, a ideia é exatamente sensibilizar os juízes principalmente que tenham resistência à utilização das técnicas de mediação, para que a vejam como algo viável e interessante”, explica Fábio.

O mindset é uma teoria proposta pela psicóloga estadunidense Carol Dweck, com a ideia de sair de um padrão de pensamento rígido, fixo e inflexível, ou com conceitos anteriores, para abrir a uma proposta do ‘novo’. “O que está sendo feito é tentar abrir a mentalidade, a reflexão dos magistrados para essa proposta de pacificação que vem sendo introduzida no judiciário como um todo no Brasil”, complementa o psicólogo.

Ao longo da apresentação dos conceitos que envolvem o mindset, foram feitas dinâmicas vivenciais, para colocar os participantes em situações em que fossem levados a quebrar com propostas ou ideias pregressas a respeito do funcionamento deles como um todo. “São dinâmicas que exploram a reflexão da inovação, a proposta de se considerar novas soluções para problemas que eles já tenham vivenciado, colocando-os em situações de dificuldade para que evoquem alguma proposta nova de solução para os problemas que vão sendo apresentados”, conclui Fábio.

Já na segunda unidade, Mariângela e Maria Inês trabalharam a interferência da subjetividade nos manejos de conflitos e o olhar além das aparências. Elas deram noções gerais sobre a teoria sistêmica, que vê o conflito judicial como forma de manutenção de vínculos, e reforçaram os resultados da mediação, demonstrando como ela ajuda na facilitação para o encontro de soluções pelas partes para haver a reconciliação, fundamental para restabelecer o diálogo e proporcionar mais satisfação às pessoas.

No dia final, para encerrar a formação, Valéria frisou a importância da mediação a partir do que chama de “crise da justiça”, causada segundo ela por cinco fatores: excesso de judicialização, ineficiência da administração pública, falta de investimento e de capacitação, e morosidade. O objetivo é que, com a quebra de paradigmas para a implantação da cultura mediadora por meio da mudança de comportamento dos agentes da justiça, a conciliação e a mediação de fato se integrem ao cotidiano dos magistrados como canais alternativos para o exercício da função jurisdicional.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron

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