O Mestrado Profissional Interdisciplinar em Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça (DHJUS), realizado em parceria entre a Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron) e a Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), teve as últimas visitas de campo da Atividade de Pesquisa Programada (APP) “Rio Madeira: Direitos Humanos e Questões Socioambientais” realizadas na quinta e sexta-feira (12 e 13 de abril). As viagens finais foram para o distrito de Jaci-Paraná, distante 90km de Porto Velho, e de barco pelo baixo Madeira até São Carlos do Jamari, a 120km da capital, com o objetivo de aproximar o curso das comunidades atingidas pelas obras das usinas hidrelétricas (UHEs) e pela enchente histórica de 2014.

Em Jaci-Paraná, os acadêmicos fizeram uma visita guiada à UHE Jirau e ao final do dia conheceram as comunidades de Vila Mutum e do distrito de Abunã, onde conheceram as unidades habitacionais de realocação e conversaram com os moradores locais. Sobre a APP, o aluno Fábio Augusto do Nascimento, técnico judiciário da área criminal, diz que “como servidor, está contribuindo para essa aproximação daquele público que nós sempre abordamos apenas no papel ou no processo, para que saibamos o que estamos contribuindo do nosso trabalho hoje na justiça na resolução daqueles conflitos que são submetidos à nossa apreciação, então é muito importante a gente conhecer essa realidade”.

Na sexta-feira (13), o baixo Madeira foi objeto de estudo. Por meio da viagem de reconhecimento, os mestrandos identificaram, ao longo do rio, as comunidades ribeirinhas atingidas pelos desbarrancamentos. São Carlos do Jamari, destino final da jornada, teve suas margens esquerda e direita visitadas e seus moradores entrevistados. O professor da UNIR Artur Moret destaca que, mais do que a aproximação, as viagens proporcionaram visões diferentes do mesmo problema, ao unir o ponto de vista dos operadores do direito e dos direitos humanos. “Essa junção é fundamental, a abordagem mais científica com a mais operacional. A parcela de população que a gente está transitando tem pouco desse direito, então ele precisa ser aplicado de uma outra visão mais humanista do que uma visão apenas objetiva”.

Ainda no barco, durante o retorno à Porto Velho, foi exibido o documentário “Jaci, sete pecados de uma obra amazônica” e os alunos definiram apresentações de trabalhos, vídeos, gravações e papers. Para o professor Marco Teixeira (DHJUS), um dos coordenadores da atividade, “identificar o processo forçado pela realocação – que vem desde a década de 1930, com Getúlio Vargas e a recolocação da população em prédios padronizados, até hoje com as casinhas de 32m² do conjunto Belisário Pena – instiga reflexões e nos causa transtorno intelectual enquanto pesquisadores para oferecer alternativas à sociedade, de forma que a universidade continue sendo o fio condutor da civilização”.

Veja o álbum completo de fotos no Flickr da Emeron.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron

Permitida a reprodução mediante citação da fonte Ascom/Emeron

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