Três dias de intensas discussões sobre o avanço das tecnologias e como elas podem e têm sido usadas para promover a violações de direitos fundamentais é a tônica do II Congresso Internacional de Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça, iniciado no dia 08, em Porto Velho.

A programação começou ainda pela manhã com duas atividades. A primeira, a apresentação de artigos científicos dos mestrandos da segunda turma do Mestrado em Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça (DHJUS), objeto do Convênio entre o Tribunal de Justiça de Rondônia e a Universidade Federal de Rondônia (Unir). Simultaneamente, no auditório do Ministério Público do Trabalho, um grupo de representantes de movimentos sociais, convidados pela Coordenação do Congresso, participou do Workshop “Fotografia Popular”, com as ministrantes Maria Cláudia Ferreira da Silva (UFRJ) e Adriana Medeiros (EFPFM).

À tarde, o destaque foi para a participação de palestrantes estrangeiros nos minicursos e Oficina de Ideias. No palco do Teatro Guaporé, reuniram-se os pesquisadores brasileiros Estevão Fernandes (UNIR), Patrícia Juruna, Berenice Bento e os convidados internacionais Catarina Rea e Emílio Escalante para discutir o tema “Movimentos Sociais”.

Do lado de fora do teatro também houve discussões. O Diretório Central dos Estudantes da UNIR promoveu uma Roda de Conversa sobre “Direitos Humanos e Feminismo”. Ao mesmo tempo, a pausa no café da esquina foi regada por mais Roda de Conversa, desta vez sobre “Quadrinhos e Jornalismo”.

À noite, as atividades foram continuadas com uma cerimônia de abertura oficial e novo debate. Na abertura, os discursos foram uníssonos quanto a oportunidade dada pelo congresso a reflexão de questões tão presentes, mas pouco faladas. “O congresso está abrindo as portas do diálogo com a academia. Que possamos extrair daqui diretrizes para os problemas de direitos humanos do dia a dia”, afirmou a procuradora do Ministério Público do Trabalho e mestranda do DHJUS, Daliane Lopes.

“A legítima parceria entre a Emeron e a Unir nos possibilitou desenvolver um programa de mestrado interdisciplinar, de áreas tão diferentes, que promove a integração de saberes, reúne profissionais de várias áreas para inspirar o futuro”, afirmou o coordenador do mestrado DHJUS, Rodolfo Jacarandá. O pensamento foi corroborado pelo representante do Diretor da Emeron no evento, o Juiz Rinaldo Forti. “Este teatro cheio é a prova de que a parceria está dando certo”.

Após a abertura, a professora Aparecida Zuim conduziu o debate “Diálogos – Direitos Humanos, acesso à Justiça e movimentos sociais” com a líder indígena Patrícia Juruna e a pesquisadora Miriam Grossi. Entre os temas abordados na conversa, as questões que envolvem a mulher indígena e não indígena foram destaque. Ao se apresentar para a plateia, Miriam lembrou que ao longo de sua carreira lidou com a falta de espaço dada a discussão de questões sobre mulheres e que se sente feliz ao perceber que houve uma grande mudança nas novas gerações e que agora se estuda coisas que antes eram faladas apenas de forma privada. Para ela, isso requer “uma triangulação entre movimentos sociais, universidade e estado” para que esses temas sejam refletidos por vários aspectos e de forma a produzir conhecimento para as gerações vindouras.

Já Patrícia Juruna contou um pouco de sua experiência como liderança jovem indígena e as diferenças sociais e incompreensão do não índio em relação a esta cultura. Usando a violência doméstica como exemplo, ela conta que em algumas tribos, algumas práticas tipificadas como crime pela Lei Maria da Penha não são reconhecidas como formas de violência. Isso tem resultado na intervenção de lideranças indígenas nas tribos para conscientizar em relação a esses comportamentos e tentar diminuir os casos de violência. Além disso, afirma que é preciso um olhar diferenciado dos profissionais para compreender as diferenças culturais envolvidas em uma denúncia que chega ao judiciário.

Ao final, a plateia participou fazendo perguntas sobre as temáticas abordadas pelas duas convidadas.

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Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron

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