O segundo dia de atividades do II Congresso Internacional de Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça, realizado ontem (09), foi marcado por reflexões sobre as novas tecnologias, mídias e suas relações com os direitos humanos.

Pela manhã foram iniciadas as apresentações dos grupos de trabalho. Seis grupos abriram espaço para a exposição de artigos dos mestrandos do programa ou pesquisadores de outras instituições dentro dos eixos: Mídia, Política e Direitos Humanos; Meio Ambiente, Território e Direitos Humanos; Direitos Humanos e Diversidade(S): Desafios e Perspectivas Amazônicas; Fronteiras: Violência e Segurança; Direitos e Liberdades Individuais e Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento da Justiça.

À tarde, além da continuação dos minicursos iniciados na quarta-feira (08), foi promovido o minicurso Como Fazer Quadrinhos em Direitos Humanos e, no auditório do TJRO, o Seminário “Direitos Humanos e Atendimento ao Imigrante” com o pesquisador da Universidade Federal de Roraima, Gustavo da Frota Simões, que tem atuado junto aos imigrantes venezuelanos que tem chegado ao Brasil.

Na Oficina de Ideias, o tema central foi “Mídias, tecnologia e direitos humanos” com a participação das jornalistas Helô D’Angelo, Mariana Sanches e dos pesquisadores Maria Claudia Ferreira da Silva (UFRJ), Miriam Pillar Grossi (UFSC) e o americano William Fisher. O debate girou em torno de como a tecnologia e as mídias tem se relacionado com os direitos humanos, tanto na cobertura a violações, a exemplo do Caso de Mariana; quanto na promoção de violações de direitos, como acontece em programas de cunho policial.

Já nas Roda de Conversa, a relação entre jornalismo e direitos humanos voltou a ser tema dos debates, a partir da experiência da repórter Mariana Sanches da BBC Brasil com o jornalismo investigativo voltado a questões sociais, como a Cracolândia em São Paulo e a tragédia de Mariana, em Minas Gerais. Paralelamente, o Centro Acadêmico de Direito da UNIR promovia uma discussão sobre os desafios e perspectivas a garantia dos Direitos LGBT+.

Finalizando o dia, o palco do Teatro Guaporé foi novamente espaço para o Diálogos, dessa vez com o tema “Mídia, novas tecnologias e direito”. Coordenados pelo professor Estevão Fernandes, a professora Berenice Bento e o pesquisador Emílio Escalante falaram sobre suas relações com violações de direitos fundamentais.

Escalante, enquanto indígena guatemalteco de origem maia, narrou os episódios de violência que viveu e presenciou em sua trajetória enquanto imigrante nos Estados Unidos e posteriormente pesquisador dos povos indígenas. Para ele, uma das origens da violência contra os índios vem do interesse de posse das terras ocupadas por estes, o que, segundo ele, resulta em genocídios e campanhas midiáticas que promovem estereótipos negativos acerca dessa população. “Resolver o problema é eliminar-nos”, afirmou.

Já Berenice Bento afirmou que uma das grandes dificuldades para a garantia de direitos fundamentais é definir o que é o ser humano dentro dos Direitos Humanos. “Do que estamos falando quando falamos de humanidade?” questionou. Para ela, essa dificuldade parte de uma ideia de humano construída a partir da imagem do europeu, do homem da razão. Tudo aquilo que foge a essa imagem (índio, mulheres, transsexuais e outros) é desconsiderada e tem seus direitos não atendidos socialmente. Nesse contexto, ela afirma que as ações do Estado para as garantias fundamentais acabam não sendo efetivas pois são definidas a partir da visão do estado e não das necessidades reais dessas populações.

A programação do Congresso continua nesta sexta-feira, com apresentações dos grupos de trabalho, minicursos e debates.

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Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron

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