No último fim de semana, a Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron) realizou o segundo módulo da pós-graduação lato sensu em Gestão Pública, com o tema “Cultura e Mudança Organizacional”. A especialização é fruto de convênio entre a Polícia Militar de Rondônia e a Emeron e atende a 30 militares, entre policiais e bombeiros.

A disciplina foi ministrada por Jean Carlo Santos, doutor em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e servidor do Tribunal de Justiça de Rondônia, e teve como objetivo discutir como funciona a cultura nas organizações públicas e quais as barreiras para sua mudança num ambiente ainda dominado pelo personalismo. “É imprescindível navegarmos sobre o conceito, características e tipicidades da cultura organizacional da nossa instituição, para fazer uma autoanálise dos nossos comportamentos, desempenho e como atuamos diante dos processos e da estrutura como um todo nesse processo de mudança”, afirma.

Jean fez uma análise histórica e contextual da evolução da cultura brasileira, desde a época da colônia com os lusitanos, passando por outros países, demonstrando as influencias na formação das instituições e também no comportamento de seus membros. A intenção foi estimular os alunos a terem um olhar crítico sobre o ambiente em que estão inseridos. “Percepcionar esses elementos de forma sistêmica é uma estratégia interessante para levar os alunos a se posicionarem criticamente sobre essa construção que a gente mantém de alguma forma. Utilizamos ferramentas de análise individual e de grupo, ferramentas de coaching, para que os alunos se posicionem diante dessa dinâmica, não como espectadores, mas como agentes de mudança. Para refletirem o que é que um gestor público precisa enfrentar, que papeis ele precisa desenvolver, quais competências ele precisa construir para efetivar seu papel de líder numa cultura complexa e que exige maior eficiência, maior efetividade e eficácia dos serviços prestados? ”.

O ministrante destaca que organizações públicas são um reflexo de uma cultura histórica socialmente construída e é preciso levar em conta o conceito de subcultura. “As organizações têm as suas sutilezas, essas sutilezas é que estabelecem as diferenças que existem mesmo num mesmo ambiente de tarefas. A cultura da PM de Rondônia é diferente, tem as suas sutilezas em relação às demais PMs de todos os estados brasileiros, então trabalhar essas sutilezas foi a nossa preocupação. Incitamos os alunos a trazer à tona a sua realidade, os enfrentamentos, as dificuldades, mas também os acertos, colocando tudo isso dentro de uma visão sociológica para que eles eles associem, pensem e encontrem solução para um dado contexto, mas dentro da realidade em que eles estão inseridos.

Para o aluno Alison de Souza Pessoa, da companhia independente de policiamento ostensivo de Buritis, o tema abordado no módulo vai de encontro ao momento vivido por várias instituições públicas, inclusive a PM, de quebrar antigos paradigmas para acompanhar as mudanças sociais. “É extremamente importante que qualquer gestor, principalmente dentro de uma instituição tão forte quanto a polícia militar, tenha esse conhecimento, essa visão de que se pode manter a força da instituição, se pode manter os pilares de hierarquia e disciplina, mas de forma mais voltada a buscar a melhor prestação de serviço ao nosso usuário. Quando se tem uma cultura organizacional mais atual, uma cultura organizacional mais voltada para as tendências da sociedade, você vai ter uma instituição que vai ser mais aceita, e essa aceitação vem justamente dessa quebra de paradigmas.”

Jean ressalta que os assuntos tratados no módulo servem de base para futuras discussões em outras disciplinas. “Por exemplo, quando se for trabalhar a gestão de pessoas no setor público, essas questões comportamentais e de cultura vão vir à tona novamente. Tudo foi construído para  para que haja essa conexão e os alunos consigam entender essa sequência de construção de conhecimentos e se ver como agentes utilizando esse conhecimento, fazendo as suas abstrações, tirando proveito disso, levando soluções, aplicando na sua organização para gerar um diferencial”.

Ao final do módulo, os alunos prestaram uma homenagem ao professor. Representados pelo colega Eber Barros, de Porto Velho, eles agradeceram a entrega do docente na construção do conhecimento e destacaram a naturalidade na condução do tema. “Eu me sinto privilegiado de ter estado na discussão, ela é uma discussão muito no campo da teoria, mas o senhor conseguiu, com as atividades, transformar isso de maneira mais aplicável, mais tangível, mais fácil de se perceber. A gente conseguiu fazer essa transição daquilo que o senhor trouxe como teoria, para através das atividades perceber quem somos, onde estamos, como está a nossa organização e que nós podemos melhorar, tanto pessoalmente quanto institucionalmente. Acho que esse é o grande legado da sua aula”, finalizou.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron

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