Olhos atentos acompanhavam cada movimento no palco. Para alguns, era a primeira vez que viam uma apresentação musical, para outros, significava uma pausa na dura realidade de quem está sob a responsabilidade do Estado, seja em abrigos ou em unidades de internação. Com uma plateia repleta de crianças e adolescentes, na noite de ontem (06), o Tribunal de Justiça de Rondônia comemorou os 28 anos de criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com apresentações musicais do Grupo Minhas Raízes e da Orquestra de Rua.

Abertura

A cerimônia de abertura foi iniciada pela Coordenadora do Núcleo Psicossocial do 1º Juizado da Infância e Juventude, Eliete Cabral, que relembrou a criação do ECA. Dirigindo-se às crianças e adolescentes presentes, questionou:. “Vocês sabiam que houve um tempo, vocês nem eram nascidos, que era proibido aos pais acompanhar o filho doente no hospital? Ou que as casas de acolhimento não faziam distinção entre uma criança em situação de abandono, um órfão ou um adolescente que cometeu um ato infracional?”. Ainda segundo a assistente social, o incomodo causado por essas e outras violações de direitos fomentou uma mobilização popular que resultou na inclusão do artigo 227 na Constituição Federal e em seguida, na criação do Estatuto.

Finalizando a mesa de abertura, o Presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, Walter Waltenberg Silva Junior destacou a dedicação e a sensibilidade de magistrados e servidores que atuam na Infância e Juventude. “Que bom que temos um dia do ano para celebrar o estatuto e que bom que temos todo dia o estatuto sendo celebrado pelos magistrados e servidores que fazem com que o direito escrito se torne verdadeiramente concreto às crianças e adolescentes”. O presidente ressaltou ainda a necessidade de uma atuação eficiente do Estado para preservar a infância e promover a efetiva recuperação de adolescentes.

Participaram ainda da mesa de abertura, o Diretor da Escola da Magistratura, Desembargador Marcos Alaor Diniz Grangeia, o Juiz da Infância e da Juventude Marcelo Tramontini e o Chefe da Casa Civil Eurípedes Miranda, representando o Governador Daniel Pereira.

Apresentações

Este ano, a comemoração à criação do ECA trouxe ao debate o direito à cultura, garantido pela Constituição Federal. O propósito, segundo Eliete, é “conscientizar que a cultura não é um direito secundário, mas é um direito fundamental que colabora com o desenvolvimento de crianças e adolescentes”. A ideia foi ilustrada com as apresentações dos grupos musicais Minhas Raízes, de Rondônia, e Orquestra de Rua, do Rio de Janeiro, que além de encantar as crianças e adolescentes presentes, serviu como exemplos positivos de superação, em que a cultura é meio para o crescimento pessoal.

O Grupo Minhas Raízes, da Comunidade Ribeirinha de Nazaré, apresentou músicas que narram a cultura ribeirinha e contou um pouco de sua história. O grupo surgiu em 2006 e envolve até hoje crianças, adolescentes e adultos na produção de bioinstrumentos, construídos pelos próprios integrantes com matéria prima que a natureza descarta; na aprendizagem musical e na composição de canções. Para eles, a inserção no ambiente cultural despertou o desejo de continuidade, e hoje, vários deles residem em Porto Velho, onde cursam ensino superior.

Já a Orquestra de Rua, formada por cinco jovens de comunidades do Rio de Janeiro apresentou alguns clássicos da música erudita e popular nacional e internacional. Gláucia Maciel, Juliane Souza, Jéssica Dornelas, Gilbert Vilela e Lucas Freitas aprenderam a tocar violino e violoncelo, respectivamente, por meio de projetos sociais nas comunidades em que residem. Já o nome do grupo surgiu após uma apresentação musical que, sem dinheiro para o lanche, eles resolveram arrecadar o valor da pizza tocando na rua. É com o dinheiro arrecadado nas apresentações que eles custeiam a manutenção dos instrumentos, os estudos e auxiliam em casa.

Após acompanhar atentamente as apresentações, ao final do evento, crianças e adolescentes se aglomeraram na beira do palco para conhecer os grupos e os instrumentos, comprovando que, mesmo pequeno, aquele momento de acesso à cultura foi transformador para eles.

Programação

As apresentações do Orquestra de Rua continuam até sexta-feira, 10, conforme cronograma abaixo:

08/08, às 9h - Escola Estadual Major Guapindaia, Rua Padre Chiquinho, 2375, Bairro São João Bosco

09/08, às 9h - Unidade de Internação I (Espaço de Acolhimento aos Adolescentes, Avenida Rio de Janeiro, Bairro Lagoa (Ao lado do SESI).

10/08, às 9h - Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS/MSE), Rua Geraldo Ferreira, Bairro Agenor de Carvalho (5ª rua após a Rio Madeira)

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron

Permitida a reprodução mediante citação da fonte Ascom/Emeron

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