Iniciado em outubro de 2018, o Projeto Se a Vida Ensina, Eu sou Aprendiz, promovido pela Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron) em parceria com a Vara Infracional e de Execução de Medidas Alternativas, chega à sua quarta turma. Nas três primeiras, os adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas atendidos estavam em regime de internação nas unidades de Porto Velho. Como critério para o grupo atual, foram selecionados rapazes em semiliberdade, matriculados e frequentando escola pública, além de moças em medida de internação.

Ao longo de dois meses, os alunos comparecem à Emeron três vezes por semana para aulas de informática básica, oficinas de produção literária e teatro, além de palestras sobre cidadania, saúde, sexualidade e outros temas, todas ministradas por servidores do Poder Judiciário de Rondônia e convidados, que atuam como voluntários no projeto social. O objetivo é trabalhar a humanização e a capacitação dos adolescentes, considerando sua situação de vulnerabilidade e garantindo-lhes acesso à educação, para auxiliar em seu processo de convívio social e profissionalização.

Na semana passada, os quinze novos alunos foram recebidos na Emeron pelo juiz Marcelo Tramontini, juiz da Vara Infracional, Guilherme Baldan, juiz vice-diretor da Emeron, e Ilma Ferreira, diretora pedagógica da Escola, coordenadores do curso. Compuseram a mesa de abertura junto aos magistrados o representante da Fundação Estadual de Atendimento Socioeducativo (Fease, que coordena a política de atendimento ao adolescente autor de ato infracional), Giliarde Irineu, e o diretor do Centro de Atendimento Socioeducativo de Semiliberdade, Jeconias Soares.

Em sua fala inicial, Guilherme disse aos adolescentes que, a partir de agora, eles estão na Emeron para aprender: “Nós os consideramos pessoas em formação, ou seja, temos condição de formá-los e essa é uma oportunidade para que possam aprender e contribuir para uma situação mais favorável a si próprios”. O magistrado alertou para as consequências de atitudes passadas, mas também para as novas possibilidades que se abrem. “Já perceberam, da pior forma possível, que as escolhas têm consequências e podem ser inclusive a de perder a liberdade, então aproveitem a oportunidade de ter essa experiência aqui”, incentivou.

Marcelo destacou a entrada no projeto, também para a turma atual, da equipe do Núcleo Psicossocial da Vara Infracional, que participará do desenvolvimento das atividades. Segundo o juiz, o projeto cumpre o papel do regime de semiliberdade, na medida em que, de acordo com a legislação, prevê a utilização dos mecanismos da sociedade. “Apesar de ser uma escola de excelência voltada ao público interno do Poder Judiciário, para a capacitação dos juízes e servidores, está abrindo as portas para vocês, que não estão aqui como adolescentes infratores ou em cumprimento de medida, mas como alunos”, ressaltou.

O representante da Fease comentou sobre os resultados já percebidos nas primeiras turmas. “Realmente tem contribuído para esses adolescentes e oportunizado a eles um olhar melhor, isso será muito importante para a vida e o futuro de cada um”, disse Giliarde. A aluna da turma anterior I. A. J. deu um depoimento sobre como o projeto impactou sua trajetória: “Já estive no lugar de vocês, a vida que a gente levava não compensa, essa oportunidade é uma nova porta para sair dessa vida, posso dizer que sou a prova de que o curso está me ajudando muito e mudando a minha vida, e muitos queriam estar no lugar de vocês, então peço que não errem”.

Para Eliete Cabral, chefe do Núcleo Psicossocial, a adolescência é uma fase que marca profundamente, dependendo das escolhas que forem feitas. “Na vida aí fora não existem muitas oportunidades de escolha de coisas boas, então quando aparece uma eu particularmente vibro, pois é uma fase que tem muitas possibilidades de descoberta, conflitos e questionamentos, e a Emeron é um ambiente próprio onde questionar e ouvir”. Também participaram da abertura da turma os familiares dos adolescentes, além de alguns servidores que atuarão como professores no projeto.

Nas duas primeiras semanas do projeto os alunos já participaram de palestra motivacional, oficina literária e oficina de teatro, com Almício Fernandes, na qual desenvolverão uma apresentação para o evento de encerramento da turma. Os exercícios trabalhados pelo professor envolveram alongamento do corpo, para treinar a desenvoltura em cena. Na oficina de literatura, a diretora pedagógica Ilma exibiu aos alunos o filme “O menino do pijama listrado”, com uma discussão ao final. “O que aconteceu até aqui é passado, o que buscamos e queremos é construir um novo futuro e só existe quando partimos do presente, vamos fazer desse um presente precioso, chamado vida”, disse a professora.

Maurício Vigiato, que conduz o curso de informática no laboratório da Escola, também deu seu recado: “Vocês vão sair com a formação de algo importante para a vida de vocês, algo que o mercado hoje exige e vai exigir cada vez mais”. As aulas são totalmente práticas, com computadores individuais para os alunos. O professor apresentou até mesmo as partes internas que compõem os equipamentos.

Na próxima semana, o projeto será apresentado pela direção da Escola no 1º Seminário Regional Integrado entre as Carreiras Jurídicas para o fortalecimento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente: A Aprendizagem Profissional em Expansão, que acontece no auditório do Tribunal Regional do Trabalho nos dias 16 e 17 de setembro e do qual a Emeron é correalizadora.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron

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