Na última sexta (13), durante o encerramento do II Encontro Nacional de Memória do Poder Judiciário (Enam), sediado no Recife pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco, a historiadora Ana Carolina Monteiro Paiva venceu a categoria de trabalhos acadêmicos e científicos do Prêmio CNJ Memória, por sua dissertação de mestrado sobre a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). Para a elaboração do estudo, a pesquisadora contou com a atuação do Tribunal de Justiça de Rondônia, por meio do Centro Cultural e de Documentação Histórica (CCDH), vinculado à Escola da Magistratura do Estado (Emeron).

Foram premiadas ações inovadoras relacionadas ao tema da preservação da história judiciária. Para a pesquisa, defendida em dezembro de 2020 no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba, Ana Carolina teve a colaboração da servidora Nilza Menezes Lagos Lino, que esteve à frente do Centro de Documentação do Judiciário de Rondônia por mais de 20 anos e se aposentou no mês passado. “Eu queria agradecer, em primeiro lugar, à Nilza por todo o apoio que recebi durante a pesquisa, que foi feita presencial e a distância, então fica aqui o meu registro de um grande abraço para ela”, afirmou ao receber o prêmio.

Intitulada “Trabalho e cotidiano na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (1907-1919)”, a dissertação teve como principal objetivo investigar aspectos da constituição do cotidiano estabelecido aos e pelos trabalhadores da Companhia Madeira-Mamoré, a partir da estruturação de um sistema de controle e manutenção da força de trabalho pela empresa durante o período de construção e funcionamento da ferrovia nas primeiras décadas do século XX. O trabalho valeu-se de inúmeras fontes judiciais, processos cíveis e criminais do acervo do TJRO.

“No início do século XX, a construção da EFMM, projetada para fins de exploração de matérias-primas da região amazônica, mobilizou um grande contingente de homens e mulheres subjugados a relações de trabalho em um sistema hierárquico determinado por suas nacionalidades, funções, etnias e gêneros, um fluxo de 25 a 30 mil trabalhadores circulando ali durante o período de construção (1907-1912), dos quais em torno de 6 mil chegaram a óbito”, diz a historiadora. A partir de 1912, com a inauguração da linha de ferro, foi mantido um número menor e estável de trabalhadores contratados e prestadores de serviço, durante a administração estrangeira da ferrovia, até 1919.

Para atingir os objetivos propostos, as problematizações foram concebidas através de um extenso conjunto de fontes históricas, entre eles os processos-crimes, onde entrou a colaboração do CCDH. “Ao inserir-se no âmbito dos estudos da história social do trabalho, a dissertação visa contribuir para a compreensão das experiências concretas de homens e mulheres que fizeram sua própria história enquanto vendiam sua força de trabalho para a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, marco fundamental para a compreensão da história do estado de Rondônia e da expansão capitalista sobre o território da região amazônica no século XX”, conclui a pesquisadora.

Encontro Nacional

A segunda edição do Enam foi realizada ao longo da semana, na Escola Judicial de Pernambuco (Esmape), com o tema História, Memória e Patrimônio. O objetivo da iniciativa, criada e gerenciada pelo Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (Proname) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é debater temas voltados à valorização e preservação da história da identidade cultural e social da Justiça brasileira.

O evento contou com palestras, oficinas e debates sobre Gestão de memória; Conservação preventiva e preservação digital; História institucional e patrimônio cultural; e Promoção de cidadania e difusão de acervos. No último dia, foram outorgadas outras premiações, com os temas Portal da Memória, Difusão cultural e direitos humanos, Patrimônio cultural arquitetônico, Patrimônio arquivístico, Patrimônio bibliográfico, e Patrimônio cultural museológico.

Centro Cultural

Também neste mês, o CCDH do Judiciário de Rondônia entrou para o Circuito das Artes de Porto Velho, promovido pela prefeitura. A iniciativa da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Turismo e Trabalho (Semdestur) contempla os memoriais, museus e teatros da cidade, com vistas a desenvolver o turismo local.

Por fim, na tarde desta quarta-feira (18), a vice-diretora da Emeron, juíza Karina Miguel Sobral, participou do Encontro de Museus de Rondônia, promovido pela Fundação Cultural do Estado – FUNCER, por meio do Museu da Memória Rondoniense (MERO). Como parte da programação da 20ª Semana Nacional de Museus, que esse ano tem o tema “O Poder dos Museus”, o evento foi realizado de forma virtual e com transmissão no Facebook da Fundação, onde segue disponível. Ao lado de representantes de outros museus, memoriais e centros de documentação do estado, a magistrada apresentou um breve histórico e as atividades do CCDH.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron (com informações do TJPE)

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