A construção de círculos de diálogos para a paz foi o tema de uma formação de facilitadores em práticas restaurativas realizada na última semana pela Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron), no Distrito de Calama, região do Baixo Madeira de Porto Velho.
Nesta edição do curso, participaram professores(as), técnicos, agentes de saúde, líderes comunitários e estudantes. Todos receberam certificação de 40 horas-aulas pela Emeron.

As atividades, realizadas na Escola Estadual General Osório, ocorreram de segunda-feira a sábado, com atividades teóricas e vivências em que todos puderam expressar suas identidades e experiências no contexto comunitário, verificando as possibilidades de aplicação dos conhecimentos adquiridos.
Denominado Vozes da Floresta, o projeto leva a justiça restaurativa às comunidades ribeirinhas tradicionais da Amazônia, por meio de círculos de diálogo, prática restaurativa dos Círculos de Construção de Paz.
O projeto, concebido em ressonância com as necessidades e a realidade dessas comunidades, promove a escuta ativa, pertencimento e reconhecimento cultural, além de construção coletiva da paz em territórios historicamente negligenciados. A proposta alia métodos restaurativos a uma abordagem intercultural e territorializada, fortalecendo a cidadania, a inclusão social e a presença institucional do Judiciário em contextos de vulnerabilidade.
Os ministrantes foram os servidores Widia Paiva (assistente social), Luciana Martins (psicóloga) e Roger Andrade (psicólogo), da Coordenadoria do Programa Estadual de Justiça Restaurativa.

A juíza Kerley Alcântara, coordenadora da Justiça Restaurativa no Tribunal de Justiça de Rondônia, participou da abertura da atividade e chamou o momento de plantio de uma semente de transformação social.
“A prática da justiça restaurativa nessas comunidades é benéfica ao Poder Judiciário porque é uma forma de acesso à Justiça sem litigiosidade. Ou seja, a própria comunidade resolve internamente seus conflitos de maneira pacífica, coletivamente e, com isso, fica afastada a necessidade da intervenção do Poder Judiciário”, disse a magistrada.
A diretora da Escola General Osório, Jana Gusmão Dutra também se tornou facilitadora de práticas restaurativas e destacou a participação de agentes da saúde e da educação do distrito.
“Eu estou esperançosa que esse curso possa nos auxiliar ainda mais no trabalho que a gente vem desenvolvendo dentro da comunidade, que é o uso do diálogo para resolver diversos conflitos que a gente vivencia.
Representando a área da saúde, agente comunitária Elerose Nogueira lembra que na atuação diária, ela passa por diversas residências da comunidade e, por vezes, encontra situações que requerem uma mediação para a paz.
“Gosto muito do que eu faço e estou muito feliz com esse curso. A gente vai na casa das pessoas e às vezes elas estão em uma situação e a gente pode abrir uma porta, um caminho para eles encontrarem a paz, saber quem procurar”, declarou.
O projeto Vozes da Floresta é uma das 10 iniciativas do Tribunal de Justiça de Rondônia inscritas no Prêmio Innovare 2025, um dos mais importantes da Justiça Brasileira.
Quase 200 pessoas atingidas
A atividade desta semana encerra uma série de sete formações na temática da Justiça Restaurativa realizadas em 2025. As demais aconteceram nas cidades de Porto Velho, Jaru e Cacoal, com a participação de magistrados(as), servidores do TJRO e servidores da educação dos sistemas prisional e socioeducativo. Ao todo, foram quase 200 pessoas concluintes com certificação pela Emeron.
Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron
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