Na tarde de ontem, 03, durante a Sala de Conversa “Histórico da atuação psicossocial no PJRO” depoimentos dos primeiros servidores a atuarem na área relembraram a trajetória da implantação e da consolidação do serviço psicossocial dentro do judiciário rondoniense. O debate fez parte da programação do Encontro Estadual de Psicólogos e Assistentes Sociais do PJRO, realizado durante toda esta semana pelo Tribunal de Justiça de Rondônia, por meio da Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron).
Iniciando a conversa, o psicólogo aposentado Celso Pereira, um dos sete primeiros contratados pelo TJRO, relembrou que o maior desafio era compreender qual seu papel na instituição, visto que não havia definição clara das atribuições de um psicólogo dentro da justiça. Denise Tofani e Sonia Machado também recordaram que o entendimento da época era que a atuação dos psicólogos era necessária apenas à área da infância e que elas, assim como outros colegas, precisaram ganhar espaço para demonstrar a efetividade da psicologia em outras áreas, como a saúde e o bem-estar dos servidores.
Outro ponto destacado nas falas das assistentes sociais Denise Campos e Emeriana Silva foi a importância dada pelo TJRO para a capacitação dos psicólogos e assistentes socais. Denise recorda que desde o início houve apoio do judiciário para que os servidores pudessem se aprimorar, mesmo que por conta própria. Ela ressalta ainda, que foi por meio do acesso à essas formações que ocorreu a incorporação de muitas das técnicas utilizadas por eles.
Já Maria Inês Oliveira contou como ocorreu a inserção da assistência social no judiciário e os percalços para que o ofício se estabelecesse. Ela narra que os juízes da época não sabiam para que eles haviam sido enviados aos fóruns e que o serviço era subutilizado. A solução, criada pelo grupo de profissionais, foi criar uma demanda que os tornasse vistos e necessários. “Nós abrimos as portas do fórum para a população, atendíamos as pessoas e começamos a fazer relatórios sobre o que elas nos contavam, era a época do garimpo e tinha muito abandono de criança, e isso provocava a abertura de processos”. Uma das situações relatadas nesses atendimentos deu origem a uma prática utilizada até hoje. “Ficamos sabendo por uma mãe que algumas pessoas estavam adotando crianças ilegalmente. Nós investigamos e constatamos que era verdade. Então o juiz solicitou um estudo e a partir daí foi implantado o estudo social para casos de guarda”, finalizou.
A segunda Sala de Conversa discorreu sobre “O olhar sistêmico sobre a família no judiciário”. “A visão sistêmica antes se ser uma teoria, é um olhar”, afirmou o psicólogo Cristiano de Paula ao se referir à necessidade de o profissional analisar não apenas o conflito posto, mas também os diversos aspectos que não aparecem nos relatos das partes. Daí a importância de examinar a família e identificar os problemas que motivam a disputa judicial.
Para a psicóloga Mariangela Onofre, o olhar sistêmico auxilia o profissional a alinhar a demanda profissional, que é a resolução do conflito enquanto processo judicial, com a demanda humana, que é o desejo do jurisdicionado em sanar uma questão que lhe aflige. “A visão sistêmica visa compreender no que a intervenção judicial impacta na vida das pessoas”, afirmou. O pensamento foi compartilhado pela assistente social Ana Paula Mafia Policarpo Pereira, de Jaru, que destacou a diferença que uma postura empática pode fazer tanto na análise do profissional quanto na sensação de acolhimento percebida por quem é atendido.
O olhar sistêmico aplicado à adoção também foi abordado. Para a assistente social Rita de Cássia Picanço, o conhecimento sistêmico ajuda a compreender os diferentes formatos familiares e na adoção, é importante para entender o contexto de origem de pais e filhos adotivos. Ela afirma que as adoções são “casamentos de histórias” e que a análise sistêmica do núcleo familiar de adotantes e adotados permite identificar as histórias de que melhor se alinham. Isso cria uma possibilidade maior que esses “casamentos” deem certo.
A conversa contou ainda com a participação da psicóloga Isabela Paludo, e das assistentes sociais Philiane Ferreira Paulino da Silva, da Comarca de Ji-Paraná; e Larissa Felchak, de Ariquemes.
A programação do encontro segue hoje com palestras e debates sobre os temas Depoimento Especial, Gênero e Homoafetividade, e Parentalidade.
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Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron
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