Entre os dias 6 a 14 de novembro, acontece a quarta edição do projeto Justiça na Escola, realizado por 30 pós-graduandos da Especialização em Direito para a Carreira da Magistratura (EDCM), oferecida pela Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron), com a participação de 280 alunos do ensino médio de escolas da rede estadual de ensino. Como parte da disciplina de Direito Civil, os acadêmicos ministram palestras aos estudantes, com dinâmicas e encenações sobre quatro temáticas: violência, privacidade, afetividade e mediação, esta última incluída a partir deste ano para contribuir na política de resolução de demandas via meios alternativos.

Segundo uma das coordenadoras da iniciativa e professora da EDCM, juíza Úrsula Gonçalves Souza, o projeto é uma “forma de trabalharmos a responsabilidade social e o humanismo para os nossos alunos da especialização, porque lá trabalhamos muito a parte teórica e fomos buscar esse retorno para as escolas públicas, como forma de estímulo para os alunos de ensino médio, mas ao mesmo tempo conhecer a realidade deles”. Ela diz que a ideia é ministrar vivências: “São palestras vivenciais, porque trabalhamos com adolescentes a partir de 14 anos de idade, em razão do linguajar, então podemos trabalhar com maiores enfoques: na violência todas as formas de violência, afetividade é tanto na questão relacionamento mas também das formas afetivas, famílias diferenciadas que já temos hoje, e também a privacidade em razão dos problemas com redes sociais; esse ano também introduzimos mediação e conciliação, para que eles também sejam capazes de trabalhar e tomarem conhecimento dessa ferramenta”.

As instituições contempladas nesta edição do projeto, já pelo terceiro ano seguido, são a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) São Luiz, da zona leste da capital, e a EEEFM Eduardo Lima e Silva, localizada na zona sul. As palestras são divididas em sessões de duas horas de duração, cada uma comandada por um grupo diferente de alunos da pós-graduação. Após a apresentação de seu grupo sobre a temática violência na escola São Luiz, Suliene Carvalho resumiu por que o projeto é especial para os acadêmicos: “Ele é único, porque proporciona essa oportunidade de estar diante de alunos de uma periferia, carentes e que vivem muitas realidades que às vezes nós não vivenciamos”. Sobre o fechamento da atividade com o professor Edenir Albuquerque, juiz e idealizador do projeto, ela compartilha: “Aqui conversando, a gente se deparou: nas dinâmicas, nos teatros, quando nós oportunizamos para eles darem a solução, colocarem a vivência deles, veio muita coisa à tona, realidade que eles vivem na escola, de comportamento social dentro da comunidade deles, que se a gente estivesse só numa sala de aula no curso a gente não teria esse acesso”.

A diretora da escola São Luiz, Clarinda de Araújo, elogia o trabalho formativo oferecido aos alunos, principalmente no que se refere às redes sociais. “A escola tem muito prazer em receber esses futuros juízes, ou seja, esses estudantes que vêm trazer a cidadania, a ética, os alunos ficam à vontade e aprendem, trocam ideias e recebem informações trabalhando com o seu cotidiano. A abordagem é feita de acordo com o dia a dia de cada jovem estudante, eles interagem e os temas são os melhores possíveis, porque a gente vê o interesse deles, a importância desses temas para eles”, diz a diretora. Suliene concorda: “Nosso sentimento é de deixar uma semente plantada para que eles reflitam que a violência nasce quando a gente dá oportunidade dentro da gente, muitas vezes o sentimento de vingança, revolta, intolerância, discriminação surge primeiro dentro de nós, e se eu deixo aquilo crescer eu vou me tornar uma pessoa violenta, que discrimina, intolerante, e tudo isso vai gerar consequência no meio que eu vivo”.

Úrsula percebe que a experiência faz com que os pós-graduandos saiam se sentindo mais participantes na comunidade. “Eles têm conhecimento de comunidade que é deles, às vezes nós temos aqui alguns alunos que estudaram nesses colégios, então foi muito interessante, é uma forma de fazer essa interlocução, e tem muitas vezes o diálogo do próprio aluno do que ele conhece com relação ao tema”, afirma. Já Suliene acrescenta que o magistrado tem que ter um olhar para o contexto social, “porque ele vai tomar decisões que envolvem vidas e ele precisa entender dessas vidas, como essas pessoas chegaram até aquele tribunal, como aquela situação emergiu, e para isso precisa entender o quanto ele puder o ser humano, se colocando no lugar do outro já é um primeiro passo para isso”. Na próxima semana, a ação acontece novamente, na escola Eduardo Lima e Silva.

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Fonte: Assessoria de Comunicação – Emeron

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